terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O SENTIDO DE VIVER INTENSAMENTE

“Pode-se perfeitamente admitir que a maravilha da vida é poder ter um objetivo – não qualquer um, mas algo realmente válido- e poder lutar por esse objetivo, lutar para alcançá-lo. É a própria vida, quer dizer, a maravilha da vida é poder viver, ter esta existência”.
Como diz Moran em seu texto “ Aprendendo com a vida” localizado no endereço http://www.eca.usp.br/prof/moran/ , uma vida sem objetivo é uma vida sem alegria. Tenham todos um objetivo. Mas não se esqueçam que da qualidade de seu objetivo vai depender a qualidade de sua vida… Sempre sentimos que o que devemos ser em desenvolvimento não é apenas dar liberdade e sim criar oportunidades e meios para externamente experimentar e pesquisar, e desta maneira conhecer, denominar um certo número de componentes de seu ser e identificar-se com eles. É necessário que ele busque e defina, como um eixo para seu existir e evoluir, um sentido, um objetivo que não seja uma submissão a ideais-padrão universais, nem uma simples adaptação às perspectivas de vida estabelecidas e propagadas pela presente sociedade. Por outro lado é essencial que despertemos para o conhecimento de que o núcleo e a raiz de nossos poderes estão em nós mesmos. Não em nossas capacidades físico-vitais ou mental-racionais (estas têm fundamentalmente função instrumental), mas dentro de nós, na região das vivências não-exteriores, em camadas ocultas e ainda ignoradas ou em parte mesmo rejeitadas por nós. E no entanto é dessa interioridade que nos vem o saber do que é puro, do que é sincero, e o que deve ser feito. Sem que tenhamos consciência direta disso, abarcamos dentro de nós uma infinidade – e somos capazes de tornar esta grandeza uma intensidade de vida concreta, um movimento palpável existencial: uma real força, um fato, um crescimento emanando-se para dentro do mundo.
A educação nos ajuda a acordar, ajuda a encontrar no próprio ser o ímpeto, a saudade, a vontade de movimentar-se e buscar , de crescer, de progredir. E educar significa também aprender a lutar, aprender a intensificar a existência e cumpri-la com decisão e consciência. Educar, basicamente, é ajudar a assumir a vida; é levar o ser a procurar e a aspirar à verdade, fazendo perceber a grande possibilidade que a vida é, o que com ela recebemos e aprendemos.
Há duas só regiões onde procurar, e assim se coloca no princípio do caminho de busca a necessidade de uma primeira escolha, uma alternativa: posso procurar fora de mim, ou, em mim. Será que fora de mim – nas coisas e pessoas e acontecimentos, no mundo que integro e que me insiro eu encontro o que realmente procuro?acho o que ainda não sinto e não percebo como real em mim? De fato, é fora de mim que há mil movimentos, valores, sugestões e informações, forças e elementos, complementares e contraditórios, e especialmente enquanto pequeno eu vivo do receber: estou numa dependência praticamente absoluta daquilo que compõe meu imediato redor – é de lá, do fora que vem o que me alimenta, vem o que me abraça, , me constrói e deforma, assusta e alegra e, através das múltiplas experiências, me faz crescer. Mas existe – mesmo nesta dependência tão inteira – algo dentro de mim que atua por si, algo profundamente meu, algo em meu interior que, de início, me caracteriza e cunha, que faz minhas reações e respostas, e também minhas necessidades e exigências, serem particulares, típicas, distintas, individuais. E, à medida que vou crescendo, aquilo que há de mais próprio em mim, aquilo que me destina a ser um eu introcável, uma pessoa singular e um instrumento executor de uma determinação e missão únicas, apronta-se cada vez mais para se expressar e manifestar-se e conduzir minha vida. O modo em que as coisas de fora se colocam é forte e quase inevitável, é antes uma invasão e imposição do que uma aproximação, e são raras as vezes em que se estabelece uma real concordância mútua ou uma vibração idêntica entre mim e aquilo que vem. Eu preciso saber o que, no cerne, me constitui, o que me faz existir, o que sou verdadeiramente eu.
Quando ainda pequenos todos nós temos, bem naturalmente, essa necessidade de ir para dentro buscando (uns com mais força, outros com menos) e lá sempre encontramos maravilhas, tesouros, coisas que nos deliciam e às vezes também nos assustam, mas sempre fascinando-nos e enchendo-nos – tornamo-nos identificados, ficamos encantados, transformados, e trazemos nossas riquezas para a superfície. Porém a atualidade que nos cerca é diferente e raramente sabe responder adequadamente ao que oferecemos e perguntamos e queremos, ou corta ou até destrói, ou interpreta erroneamente, ou, simplesmente, diminui e banaliza, ou indiferentemente tolera, o que nos é imensamente caro e importante. Assim, em geral, perdemos o estímulo, desaprendemos a irmos para dentro e a sermos psiquicamente despertos e espontâneos – engrossamos e endurecemos, adaptando-nos ao poderoso mundo exterior. Mais tarde, na adolescência, há normalmente um outro impulso de busca e entusiasmo, levando o ser a uma renovada abertura às dimensões interiores, e então acordamos mais uma vez: entregamo-nos ao que é belo, ao que emociona, àquilo em que sentimos alguma força e grandeza. Mas depois esses movimentos tendem a se perder, pois a sinceridade que encontramos é pouca, pequenos são a compreensão e o esclarecimento que recebemos – são bem poucos os que nos respondem, que afirmam aquilo que estamos sentindo e querendo colocar em nossa existência como um componente real. Finalmente, no lutar com o mundo exterior-adulto e com a inevitável adaptação a ele, temos que colocar em planos cada vez mais relegados nossa procura da força e da luz que poderiam indicar fontes autênticas da vida, lembrar seu sentido e âmago, sua maravilha. Então parece que o “livre crescer e progredir”, como se poderia denominar uma das projeções destacadas da educação de nossa época, não é compreendido tanto como um fundamento e potencial dinâmico para uma realidade vivencial plena e elevada, mas muito mais apenas como um novo princípio e método educacional experimental a ser aplicado.
Carregamos certamente um peso terrível de exigência, regra e lei externas, e nossa necessidade de auto-expressão, do desenvolvimento de nossa pessoa verdadeira, nossa alma real, recebe interferências em cada um de seus movimentos.A educação da criança deveria ser um despertar e levar à realização tudo o que é melhor, mais poderoso, mais íntimo e vivo em sua natureza. Nosso crescimento é expressamente individual, e que a educação não termina com a infância ou a adolescência, mas se estende para além, abrangendo a vida toda: “O molde dentro do qual a ação e o desenvolvimento do homem deveriam ser fundidos é aquele de sua qualidade e poder inatos. Ele tem que adquirir coisas novas, mas ele as adquirirá da melhor maneira, mais vitalmente, com base em seu próprio tipo desenvolvido e em sua força original. E assim também as funções de um homem deveriam ser determinadas por sua tendência, talento e capacidades naturais. O indivíduo que se desenvolve livremente desta maneira será uma alma e uma mente vivas e terá um poder muito maior para o serviço à espécie.”

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